Poetas sem Fronteiras
Blogging in the Wind

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Eis-me aqui




parado no ar  engarrafado
como um navio entre areias coloridas colado
no fundo do vidro   roda roda a dor dourada
escute o ranger do horror    limpe a testa do
menino que dorme na calçada   sonha sujo com
minha camisa de força   botas de couro cru
o lábaro ostenta estrelado   proteje o ladrão
esfregue um gênio no olho da lâmpada    coloque
o ouvido no peito aberto   o dedo duro na ferida

a coisa dolorosa molha a carne torturada
em cima do coração

Momento



Porque aquela cama é redonda
Não temos canto pra chorar

Mas tem o riso escondido
Circulando livremente
Entre lençóis abusados

Sudário do nosso amor

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eu, índio

                            

                                                               para Noel Nutels


Ah! Povo amado desarmado
Suas estradas cortam
As linhas do meu corpo

Em cada um sou aculturado
Com a pena de Debret sobre o gentio

Assumo o bater de teclas
Num piano branco de carnaúba

Pleno piedoso paternalista

Pregado

Com cravos da reforma
Do avô do pai do filho Rondon

E lendo a pauta dessa parede...

Ah!  Infância desamparada
Obrigada a vestir-se com o que há
De mais antigo

Suas contas sempre de vidro
Os colares, dados coloridos

Exclama a nação do Planalto:
É pacífico esconder as pirocas

Ah!  Meu irmão de bunda nua

Falta-me o concreto armado
Para o altar de palha
Ser confessionário de Tupã

E descobrir entre o riso
Desses dentes obturados
A procedência dos escárnios

Obrigado Doutor pela vacina
Já falo russo tenho maldade

Entendo Drummond de Andrade

25 de abril de 1974

               


                                                      (Vejo um dia claro
                                        E um berço cor-de-rosa
                                        Com a menina dentro

                                        Olho através da vidraça
                                        Observo à distância
                                        Na Beneficência Portuguesa)



Nada como um dia depois do outro

Nada como uma notícia boa
Escutada com ouvido na terra
Ainda que a mesma de sempre

Nada como uma etapa à toa
Alcançada com medo da guerra
Ainda que África e distante

Nada como um dia desses
O povo sair de novo
Com as bandeiras despregadas

Nada como o tudo consta
E o toureiro temer o touro
Se escondendo do vizinho

Nada como um dia depois do outro

Principalmente se for diferente

Bread Pit

Down



Que a suavidade de um lírio
À luz da lua
Seja a sombra da criança


Handle with care!


O lado do coração
Para cima